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4 de set. de 2013

Investigação de Paternidade

Atuar como técnica de enfermagem para a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania é um evento diferente. O indivíduo ali não é, exatamente, um paciente, mas um "periciando". Para mim, atuante no setor de coleta de material genético, isso foi uma novidade.

O ambiente no IMESC (Instituto de Medicina Social e de Criminologia) , especialmente na coleta, é tenso e as circunstâncias são estressantes. As pessoas ali estão envolvidas em situações, muitas vezes, constrangedoras. A secretária recorre ao exame de investigação de paternidade para provar  que o dono do escritório onde trabalhou é pai do filho dela. A amante recorre ao exame para provar que o marido da esposa é pai do filho dela.  A doméstica recorre ao exame para provar que o patrão, marido da patroa, é pai do filho dela. A pré-adolescente recorre ao exame para provar que o namorado, também adolescente, é pai do filho dela. O comerciante recorre ao exame para provar que a criança não é dele e afastar a mãe oportunista. O recém-separado recorre ao exame para provar que a criança não é dele e afastar a ex-mulher oportunista.

Estes são alguns exemplos das diversas situações que aparecem no IMESC. Existe também o caso de espólio, em que é preciso provar que um irmão, que apareceu após 30 anos na vida de uma família, é parente legítimo e, portanto, possuirá os mesmos direitos. Alguns dos atendimentos que realizei me marcaram emocionalmente. Especialmente, duas histórias que relato agora nas próximas postagens.

Boa leitura!

19 de out. de 2012

Nota à imprensa do COREN-SP sobre erros na enfermagem

Comunicação/COREN-SP
Mediante um grande número de solicitações de jornalistas de diversos veículos, o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo emitiu hoje (19/10) uma nota oficial sobre os fatos veiculados nos meios de comunicação envolvendo a categoria da Enfermagem e todo o setor da saúde no Brasil, com o objetivo de esclarecer os órgãos de imprensa.

Segue abaixo a íntegra do texto:

São Paulo, 19 de outubro de 2012

Caro(a) jornalista,

O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo informa que tem conhecimento sobre os fatos envolvendo a categoria da enfermagem e todo o setor da saúde no Brasil. Mas também se sente no dever de alertar a população e a mídia sobre as péssimas condições de trabalho a que são, muitas vezes, submetidos os profissionais da enfermagem, nem sempre divulgadas, imputando sempre toda a responsabilidade do erro cometido ao auxiliar, técnico ou enfermeiro.

O Conselho Regional de Enfermagem fiscaliza sistematicamente o exercício da profissão e conhece muito bem os problemas enfrentados pela categoria com a falta de material adequado para procedimentos, dimensionamento incorreto de pessoal, baixíssima remuneração e jornadas excessivas e exaustivas de trabalho que contribuem para a indução ao erro.

Todas as denúncias feitas a este Conselho são investigadas, apuradas e analisadas em processo ético no qual se ouvem todos os envolvidos e o acusado tem direito a ampla defesa. Porém, se constatado erro, o profissional acusado é punido de acordo com o art. 118 do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (disponível em: http://novo.portalcofen.gov.br/codigo-de-etica-dos-profissionais-de-enfe...).

É importante ressaltar que dos mais de 400 mil profissionais no Estado de São Paulo inscritos no COREN, pouco mais de 300 mil praticam o exercício da profissão. As denúncias não representam 1% desse montante e esse menos de 1% nem sempre é condenado ou foi responsável direto pelo erro.

A Enfermagem é uma profissão comprometida com a saúde do cidadão, da família e da coletividade. Os bons profissionais não podem pagar pelos maus e, por isso, merecem respeito. Portanto, as normas, resoluções e leis que regem o Exercício Profissional de Enfermagem devem ser obedecidas e seguidas tanto pelos profissionais quanto pelas instituições de saúde, garantindo - desta forma - a qualidade de atendimento e a segurança do paciente.

As escolas de enfermagem também devem ser fiscalizadas com rigor pelos órgãos competentes responsáveis por esse setor, evitando colocar no mercado de trabalho pessoas despreparadas que comprometem toda uma categoria e colocam vidas em risco.

O Conselho Regional de Enfermagem está fazendo sua parte e empenhando-se nas ações fiscalizatórias para que a atuação seja mais eficaz, sempre com o objetivo de educar e evitar que erros aconteçam, com as punições aplicadas quando necessário.

Cordialmente,
MAURO ANTONIO PIRES DIAS DA SILVA
Presidente do COREN-SP

Fonte: COREN-SP

26 de set. de 2012

Mais de 3 mil visitantes e uma descoberta!

Mais uma marca a ser comemorada: o blog ultrapassou 3.000 visitantes! Agradeço imensamente o interesse de todos e espero que o Visita da Saúde esteja contribuindo para sua vida, de alguma maneira. ;-)

Para celebrar esta ocasião, vou contar uma novidade sobre a história de minha família, que descobri neste ano. Se não fosse meu amor pela Itália e o curso de italiano, provavelmente, eu não teria investigado isso. 

Meu falecido pai, filho de uma italiana da Bologna, chamada Ottorina Mingarini Stignani, e de um paulista de Itararé, chamado Absalão Fiuza de Queiroz, tem um irmão gêmeo que vai completar 90 anos em dezembro. Meu tio, apesar de lúcido, lembra bem pouco das histórias de meus avós paternos, menos ainda dos meus bisavós, também italianos, Augusta Mingarini e Ubaldo Stignani (os avós dele). De todas as dúvidas que tento tirar com ele sobre o passado da família, consigo pouca informação. Infelizmente, ninguém da  família do meu pai carregou os sobrenomes italianos devido ao machismo da época: a filha de minha bisavó (minha avó), teve seus sobrenomes excluídos após o casamento, ficando somente com o Fiuza do meu avô (e também sem o Queiroz dele, que vinha de uma mulher; minha outra bisavó, portanto).

Na tentativa de saber melhor quem foram meus bisavós italianos, acabei - por minha conta - pesquisando. Eis aqui minha mais recente descoberta pessoal: minha bisavó italiana, Augusta Mingarini, em 1894, se formou como levatrice (pronuncia-se levatrítche), que é o nome - na língua italiana - para a profissão de... parteira! Ela foi diplomada pela Universidade de Bologna, no norte da Itália, e veio para o Brasil, a convite do governo (em uma ação político-sanitária, não sei direito ainda sobre isso), para se especializar na profissão, pela Escola de Parteiras de São Paulo. Porém, como ela já possuía formação com diploma, precisou somente revalidá-lo com uma habilitação específica, fornecida pela Escola de Farmácia, Odontologia e Obstetrícia de São Paulo (EFOOSP), que concluiu em 1905. Além disso, descobri também, que existe uma rua na cidade de Itararé com seu nome, no bairro do Cruzeiro. Muito provavelmente, ela foi uma profissional e tanto. 

Desde quando soube disso, fiquei aliviada de poder, realmente, compreender que tenho algo de ancestral com a área da saúde. Por isso, em nome de minha bisavó parteira, Augusta Mingarini, ratifico minha mudança de área com alegria e entusiasmo, na certeza que estou no lugar certo.