20 de jul de 2009

Estágios

Tive meu primeiro contato real com a rotina hospitalar atuando como estagiária. A professora, que precisa ser uma enfermeira, explanava e apresentava detalhadamente toda a unidade: recepção, copa, rouparia, sala dos médicos, sala da enfermagem, posto de enfermagem, farmácia ou CAM (Centro de Abastecimento de Materiais e Medicamentos), enfermarias/quartos, expurgo, banheiros etc. Orientados quanto à postura, ética, respeito e responsabilidades, nós - alunos/estagiários - estávamos mais do que apreensivos e ansiosos em atender e interagir logo com um paciente.

Aliás, nos ensinaram que o paciente virou "cliente" e assim ele dever ser chamado. O argumento é que a pessoa hospitalizada está contratando os serviços do estabelecimento e do médico. Ela paga por tudo aquilo, tanto no atendimento público quanto no particular. Who am I to disagree?!
(Eurythmics). Mas torço o nariz para isso porque paciente precisa, de fato, ter paciência. E paciência é sinônimo de espera. Espera pelo atendimento, pela chamada, pela entrada, pela internação. Espera pela maca, pelo desjejum, pela enfermagem, pelo médico. Espera pelo resultado do exame, pela radiografia, pela alta, por tudo. O que um internado mais faz é esperar. E esta realidade vai mudar porque passaremos a tratá-lo como "cliente"?. O termo remete a uma ideia de assiduidade que até pode ser verdade (infelizmente, devido aos inúmeros retornos ao hospital), mas que está longe do propósito do ser humano doente que quer recuperar sua saúde e não contratar serviços. Quem é que quer ficar voltando ao hospital como se fosse um habitué?. Disseram que é preciso mudar esta relação entre médico e doente, tornando este menos passivo. E mais comercial, claro. Na minha opinião, esta é uma forma negativa e enganosa de lidar com o hospitalizado. "Clientes" talvez sejam melhor atendidos em hospitais particulares e, ainda assim, também esperam.

Mas, voltando!

No estágio, ou ficávamos na medicação ou nos cuidados e havia um revezamento de alunos no atendimento. Depois de conhecermos o centro de materiais esterelizados, estagiamos nas unidades de ortopedia e traumatologia infantil e adulto, geriatria, oftalmo, otorrino, centro cirúrgico, pronto-socorro infantil e adulto, obstetrícia, pediatria e até em albergue que recebe pessoas em situação de rua. Trabalhamos muito! De limpeza concorrente à terminal, de banho no leito a curativos, de realização de medicação às anotações de enfermagem, de organização de gavetas à passagem de plantão. Meu critério pessoal era o seguinte: se eu saísse descabelada e suada é porque aquele lugar estava rendendo bons aprendizados.

Trabalhar na "área da doença" é um ato de bravura. Quero agradecer, sinceramente, às equipes de enfermagem dos hospitais. Estes profissionais merecem respeito e compreensão (nós merecemos!). Agradeço a cada um que teve a gentileza de me "mostrar como se faz", mesmo não estando em um bom dia. Espero agir como vocês, quando chegar a minha vez.

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