3 de abr de 2010

Primeiro emprego na área de saúde

Depois de tantos contatos realizados, tantos currículos enviados, tantas ideias trocadas, uma organização social me chamou, em setembro de 2009, para uma entrevista de emprego. Para quem não sabe, organização social é o nome que se dá quando o governo autoriza que uma entidade privada, sem fins lucrativos, receba determinados benefícios do poder público para a realização dos interesses da comunidade. Ou seja, as OS's vieram para dar uma "moralizada" na gestão pública, organizando onde predomina o caos, e já é uma tendência em todos os setores das instituições, apesar de inconstitucional. As atividades das OS's são públicas, divulgadas no Diário Oficial, etc.

Passei em todas as fases da seleção: análise de currículo, prova escrita, entrevista individual e dinâmica de grupo. A OS precisava de auxiliares de enfermagem para atuarem na atenção básica de saúde da prefeitura de São Paulo, como a AMA (Assistência Médica Ambulatorial), a UBS (Unidade Básica de Saúde) e o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). De todos, desconhecia o CAPS. Orgulhosa e radiante, só aguardava as coordenadas para saber onde exatamente eu iria trabalhar.

O RH da organização social me comunica que trabalharei no CAPS-AD (AD?) e que era para eu estar em determinado lugar para o processo de integração (momento de boas vindas, reconhecimento do local de trabalho, esclarecimentos, tirar as dúvidas, etc). Ok, mas mal sabia o que era CAPS, quanto mais "AD" e perguntei, "CAPS-AD?". Responderam, "sim, de acordo com seus resultados nas avaliações e seu perfil psicológico, reconhecemos que, inicialmente, você desempenhará um bom trabalho no CAPS-AD". "Fico feliz e estou muito entusiasmada para começar, mas o que significa o AD?", insisti. "Você vai trabalhar no tratamento e recuperação de usuários de álcool e drogas em geral. Você vai trabalhar na área de saúde mental".

A de álcool e D de drogas...
Toda minha alegria foi atingida por um balde de água gelada. Saúde mental? Eu queria fazer procedimentos invasivos! Cuidar de alcoólatras e drogados? Iria fazer o quê com eles? Quem me conhece, compreende bem minha decepção. Cresci (e sofro até hoje) com problemas de alcoolismo na família, entre outras coisas. Isso só podia ser praga... Ou, justamente por conviver com isso, minha experiência pessoal apareceu de alguma forma positiva na análise de meu perfil.

O que me animou novamente foi lembrar de ter conseguido um emprego de 30hs semanais com um salário justo, após três meses de conclusão do curso de auxiliar de enfermagem. Para quem não tinha um tostão no bolso há quase um ano, era a glória. E, verdade seja dita, estava indo para uma área bastante - digamos - familiar.

6 comentários:

Juliana disse...

Cini!!!!

Confesso que só hoje: primeiro dia de tão esperadas férias[!] paro aqui pra ler sua nova experiência.

Saiba que admiro muito sua capacidade de "transitar" em áreas diferentes. Estou com sobrinhas começando suas escolhas profissionais e tenho repetido insistentemente à elas que não se preocupem em escolher algo para sempre. Que se sintam felizes no que estão fazendo e que a insatisfação ou o desejo podem gerar passos incríveis na vida da gente.

Você é um exemplão!

Uma das minhas sobrinhas começou a fazer enfermagem e, por isso e muitas outras coisas, estou indicando a leitura do seu blog para elas.

Um beijo grande e saudoso,
Ju Gardim

Um

deborah scavone disse...

Olha, gata, às vezes a vida nos leva por caminhos muito difícies de entender como devemos percorrê-los... mas, creio que vc certamente saberá extrair o melhor dessa oportunidade. Se é "inicialmente" já parece ser possível mudar; então, assim sendo, força e siga em frente. Nada como um dia atrás do outro. Tudo pode mudar - SEMPRE. Aprendamos, todos, a viver o dia presente. Muitos beijos, debbie

C. Fiuza disse...

Juliana querida, obrigada demais pela visita e pelo comentário. Mesmo tarde, a vocação acaba falando mais alto. Bom mesmo é explorar suas diversas capacidades e nem sei se consigo ficar sem estudar, nunca tentei! rs... Um beijo cheio de saudade.

C. Fiuza disse...

Debbie, minha eterna Marilyn, obrigada pelas constantes visitas. Vc sabe que, estava pensando nos pacientes outro dia, de uma forma mais artística e técnica? Um laboratório e tanto! rs...
Um beijo com amor pra vc.

Jane Fiuza Virmond disse...

... a vida te deu um limão e você fez uma limonada! parabéns! Garra, sensibilidade e criatividade você sempre teve e isso é importantíssimo em qualquer área de trabalho. beijos e sucesso.

C. Fiuza disse...

Obrigada, minha irmã.

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